Pensa no último erro sério que aconteceu na sua empresa, um pedido errado, um cliente perdido, um prazo furado. O que aconteceu depois? Alguém foi chamado no particular para "se explicar", ou o processo que permitiu o erro foi revisado para que ele não se repita? A resposta a essa pergunta explica muito mais sobre a saúde do negócio do que qualquer discurso de "cultura de excelência" na parede.
Essa é a pergunta nº 9 do nosso Diagnóstico de Maturidade Empreendedora: o que acontece, normalmente, quando algo dá errado? As respostas mais comuns:
- Ninguém sabe o porquê.
- A culpa é atribuída a alguém.
- Corrige-se pontualmente.
- Ajusta-se o processo.
- Ajusta-se o sistema e previne recorrência.
As duas primeiras respostas têm algo em comum: nenhuma delas resolve o problema, elas só encerram o desconforto do momento. Descobrir "de quem foi a culpa" dá uma sensação de resolução, mas não impede que o mesmo erro aconteça de novo no mês seguinte, com outra pessoa no lugar.
Errar não é o problema. Não aprender com o erro, é
Toda empresa erra. Prazo furado, informação repassada errada, cliente mal atendido em um dia ruim, isso é operação normal, não sinal de fracasso. O que diferencia uma empresa madura de uma que vive apagando incêndio é o que acontece nos minutos depois do erro ser identificado.
Essa reação costuma passar por três estágios:
1. Ninguém sabe o porquê
O erro é percebido, mas a causa nunca é investigada com profundidade. Resolve-se o sintoma imediato (o cliente é acalmado, o pedido é refeito) e a empresa segue em frente, sem entender o que, de fato, gerou a falha.
2. A culpa é atribuída a alguém
Existe uma investigação, mas ela para na pergunta errada: "quem fez isso?" em vez de "o que no processo permitiu que isso acontecesse?". O resultado é uma pessoa constrangida e um processo idêntico, pronto para falhar de novo.
3. Ajusta-se o sistema e previne recorrência
A pergunta central é sobre o processo, não sobre a pessoa. O erro é tratado como um sinal de que algo no sistema precisa mudar, seja uma etapa de checagem, uma comunicação mais clara, ou uma responsabilidade mais bem definida. O objetivo não é encontrar culpado. É garantir que aquele erro específico nunca mais aconteça daquela forma.
"Empresa que caça culpado treina a equipe para esconder erro. Empresa que corrige processo treina a equipe para revelar erro cedo, antes dele virar prejuízo."
O que isso revela sobre a maturidade real do negócio
Empresas que ainda caçam culpado normalmente também têm processos principais vivendo só na cabeça de alguém, sem documentação clara. Faz sentido: onde não existe processo escrito, é impossível separar "a pessoa errou" de "o processo não previa isso", então a culpa individual vira o único critério disponível, mesmo sendo o menos justo e o menos útil dos dois.
O que fazer a respeito, na prática
Na próxima vez que algo der errado, troque a primeira pergunta. Em vez de "quem fez isso?", pergunte "o que, no processo, permitiu que isso acontecesse, e como evitamos que aconteça de novo?". Essa troca simples, feita de forma consistente, muda a cultura da equipe: erros passam a ser reportados mais cedo, porque deixam de ser motivo de punição e passam a ser matéria-prima de melhoria.
Essa é a nona pergunta das trinta que compõem o Diagnóstico de Maturidade Empreendedora, dentro da dimensão Engage: a que trata de processos, equipe e cultura operacional. Sozinha, ela mostra se o erro fortalece ou desgasta a empresa.
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